Ele falava como um sábio
Daqueles que estão sempre certos
Eu ouvia quieta
A voz dele se fundir com os insetos
O tempo passava
A fumaça se ia
Os ônibus gritavam
E ele se despidia
Voltando pra casa
Eu tentava decifrar
Aquelas palavras enroladas
Que realmente me faziam pensar
"Eu falei dos olhos, não falei?"
Falou, mas eu nunca entendia
Nunca entendo, nada faz sentido
Eu sempre quis 2+2, e ele filosofia
Nunca consegui compreender
Porque ele me fazia sentir tão nua
Incomodada porém segura
Falando de ódio e amor no meio da rua
Como que era possível que naquelas horas
A minha vida ficasse tão exposta
Meus mistérios se tornassem tão óbvios
E as metáforas explicassem a sua proposta
Ele falava sempre dos seus desamparos
Listava inúmeras decepções em sua vida
E eu temia (e ainda temo)
Um dia virar mais uma lembrança doída
Eu nunca esperava aprender o quanto aprendi
Porque sempre certo ele não estava mesmo
Mas ele falava tudo o que pensava
E aos poucos eu soltava o que sentia olhos adentro
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